Descubra porque a criação de marca é mais processo do que criação

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criação de marca

O processo de criação de marca não é uma ação simples de ser executada. Pense nas melhores marcas, logos, logotipos, ou seja lá como você quiser chamá-las (exceto logomarca).

Quais são as mais bonitas? As mais marcantes? Quais são as primeiras que você visualizou no seu pensamento?

Nike, Coca-Cola, Apple, Google… possivelmente uma delas (se eu errei, tudo bem, mas vamos nos atentar a estes exemplos). Mas o que essas marcas têm em comum além de estarem nas primeiras posições dos rankings das marcas mais valiosas do planeta?

Seus logotipos foram desenvolvidos processualmente. Onde quero chegar é na premissa de que a criação de uma marca segue um processo extremamente bem definido e metódico que faz com que o resultado seja mais eficiente.

Isso não significa que não precisa ser criativo para criar uma marca.

Mas o objetivo de um logo é expressar valores e conceitos através de um símbolo sintético e marcante e ter um processo ajuda muito que o seu lado criativo traga as melhores formas e cores para cumprir com este objetivo.

A marca é fundamental para toda a comunicação da empresa, sendo fator fundamental para campanhas de marketing.
Para entender melhor, vamos refletir sobre a seguinte pergunta.

Design é arte?
Talvez essa não seja a maior dúvida da humanidade e respondê-la não necessariamente mudará o mundo, mas pensar sobre isso pode mudar a vida de um grupo seleto de pessoas: os próprios artistas e designers. E, caso você não seja, talvez mude a sua vida um pouco também.

Para leigos, essa distinção entre as duas áreas pode soar tola, mas o fato é que design não arte.

Afinal, o que é arte?
Arte é expressão livre. Através da arte (que pode ser gráfica, sonora, cênica, escrita etc.) as pessoas podem se expressar livremente, podendo ou não ter um objetivo estipulado e/ou parâmetros pré-estabelecidos.

Sendo assim, podemos dizer que ambos os exemplos abaixo são arte.
O Sepultamento de Cristo, por Caravaggio.

Convergence, de Jackson Pollock

Image property of the Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY.

São duas pinturas notavelmente diferentes.

A primeira, oriunda da escola barroca apresentando enorme comprometimento com realismo, representando uma passagem bíblica, dando “vida” a uma cena apenas descrita em palavras com extrema riqueza de detalhes.

A segunda, expressionista abstrata e modernista. Não segue uma narrativa linear, tendo a sua interpretação livre, aberta e incerta.
Agora, a pergunta que não quer calar. Qual das duas pinturas mais se aproxima do design?
Pense um pouco.

Usando um pouco de conhecimento em história e artes, vamos nos lembrar que a maioria dos pintores famosos das épocas renascentistas e barrocas eram contratados por membros da nobreza para fazer seus trabalhos. Logo, os pintores viviam de encomendas.
Por sua vez, artistas modernistas eram contraventores. A maioria deles fazia as suas obras apenas para se expressarem e vendiam posteriormente as pinturas em galerias.

Vamos fazer uma pausa aqui e voltar ao design.

Design esse que outrora fora chamado de desenho industrial.

A nomenclatura mudou mas o conceito continua o mesmo.
Design é algo que apresenta reprodutibilidade, o que dá a ele uma característica de “indústria”, produção em série e em massa.

Além disso, é algo que é feito pensando no consumo.
Assim sendo, o que difere design de arte é isso: design tem conceito. Há um motivo previamente determinado. Há um propósito baseado em diretrizes e limitações. Arte não tem limites. Design, sim.

Vamos tomar como exemplo o cartaz abaixo.

Esse poster foi feito pelos artistas do estúdio goiano Bicicleta Sem Freio para a turnê inglesa da banda Black Drawing Chalks.

Podemos dizer que é um cartaz bastante artístico. Mas ele tem diversos propósitos.

Sobre a imagem. Vemos uma mulher de jaqueta em desconstrução. Fortes influências de surrealismo e psicodelia. Os traços são fortes e carregados. Isso pode estar atrelado ao fato de que o som da banda em questão é poderoso e pode te fazer perder alguns pedaços (talvez isso não tenha sido intencional, mas é assim que eu interpreto).
Parece ser um arte sem limites, certo? Mas se considerarmos o persona desta banda, é uma arte extremamente sedutora.
Vemos limites também nas cores. São apenas 6 cores: amarelo, magenta, verde, roxo, laranja e rosa. Elas são vibrantes e chamam a atenção, mas até isso foi proposital. Gera um equilíbrio estético e impressionam ao mesmo tempo.

O cartaz cumpre com o que foi pedido pelo cliente: um poster que represente o som da banda, seja atrativo para o público e chame a atenção.
Sendo assim, das pinturas antes citadas, a que mais se próxima do design é do Caravaggio, pois foi provavelmente encomendada por algum membro do clero.
Podemos concluir, portanto, que design não é arte. Mas arte pode ser design. 😉

Processo de criação
Tendo feito essa série de reflexões sobre o que é e o que não é, vamos voltar a criação da marca. Já sabemos que uma marca deve representar seu produto e/ou empresa e ainda expressar visualmente uma série de fatores ligados ao seu negócio. Sendo assim, existem alguns passos que podem ser seguidos para chegar a um resultado.
Mas é importante ressaltar que isso não se trata de uma receita de bolo!

Cada designer tem seus métodos e processos. Cada marca demanda um processo específico e exclusivo.
Os passos abaixo podem ser tomados como base, mas não são a chave para o logo perfeito. Tampouco são lineares. As etapas se misturam e se complementam.

> Briefing
Sendo assim, o primeiro passo é fazer uma lista de todas as coisas que você espera que a sua marca expresse.
O que é o seu produto/serviço/empresa?
Com qual persona a sua marca deve se comunicar?
Quais são os seus valores?
Qual mensagem a marca deve passar?
O que deve ser evitado?

Organize bem as suas ideias sobre a mensagem que a sua marca deve passar.
Com essas informações será possível direcionar as próximas etapas de forma mais eficaz.

> Pesquisa
Nessa etapa, uma pesquisa de referências deve ser feita.
No seu segmento de mercado, quais são os benchmarks?
Como é a marca dos seus concorrentes diretos?
Quais são os logos que você gosta que considera que transmitam valores semelhantes aos que a sua marca deve transmitir?

Pense primeiro na resolução do problema e depois no design.
Com todas essas referências listadas, vamos para o passo seguinte.

> Rascunho e conceituação
Finalmente, essa é a hora em que o designer deve se munir de papel, lápis e borracha.
Com todo o material reunido, será bem mais simples dar forma à marca.
E você pode dar um suporte para o designer!

Mesmo que não haja habilidade nenhuma de desenho, tente! Rabisque o papel. O caminho mais curto entre o que está na sua cabeça e uma boa ideia é a sua mão. O designer encarregado da tarefa vai agradecer qualquer garrancho em um pedaço de papel que possa ajudá-lo a interpretar todo o material previamente coletado.

As informações devem guiar os traços.
Essa é a etapa onde a imaginação é necessária, de fato. Mas imagine criar um desenho sem nenhuma parte anterior do processo? As etapas anteriores estabelecem limites importantes para que a criatividade dê vida a algo que realmente vá cumprir a função necessária e esperada.
Essa é uma etapa que toma mais tempo e pode ser mais cansativa, por não ser tão sistêmica. Estabeleça um prazo que atendam à todas as partes e tenha paciência: o desenho ideal vai sair!

Acompanhe o processo, cobre as alternativas do designer e se deixe a disposição para opinar e guiar o processo criativo para que tudo saia conforme o seu gosto.
Mas não se esqueça: você contratou um profissional e não um mero executor.
O designer estudou bastante para saber o que vai melhor resolver o seu problema. Dialogue. Peça para que o designer defenda as decisões que tomou e esteja com a cabeça aberta para novas ideias. Escute o que ele tem a dizer e não deixe o seu gosto pessoal determinar o resultado final!

> Arte final
Ao fim desta etapa será possível visualizar a sua marca com um refinamento que pode vir a ser a sua marca definitiva!
O designer vai digitalizar o que ele conseguiu na fase de rascunho e o computador dará a ele diversas possibilidades de testes que definirão o resultado final ideal.

Ao finalizar em algum software gráfico, as coisas podem ficar um pouco diferentes do rabisco no papel e aquela ideia que era considerada genial pode não funcionar tão bem quanto aquela que você não botava muita fé.

> Revisão
Tendo a(s) marca(s) finalizada(s), hora de revisar o trabalho.
Deverão ser feitos diversos estes com todas as variações possíveis: colorida, monocromática, redução máxima, aplicação em fundos coloridos claros e escuros, aplicação em fotos, aplicação em produtos, criação de um padrão à partir da marca… esforços nessa etapa não devem ser medidos.

Lembre-se também de que nem sempre a opção que você considera ser a mais bonita é a mais eficiente! Escolha a opção que melhor represente os seus valores e tenha isso evidente em seu conceito.

> Apresentação e entrega
Agora é o momento de ver a marca ideal finalizada.
O designer deverá montar uma apresentação defendendo a ideia final, se valendo de todos os passos das etapas anteriores.
Seja crítico ao avaliar a marca final e certifique-se de que tudo foi muito bem esclarecido durante a apresentação.
Questione o designer sobre os pontos que não ficaram claros, tanto sobre detalhes gráficos quanto conceituais.
Equilibre o seu gosto e as explicações do profissional.

Porém, se o processo foi feito com atenção e empenho de todas as partes, certamente a este ponto tudo estará bem alinhado o bastante para evitar que o resultado seja algo completamente fora do esperado.

Após a apresentação, reflita.

Em caso de não aprovação da marca, indique as alterações cabíveis e estipule um novo prazo.
Se a marca for aprovada, excelente! Desfrute da sua nova marca!

Criatividade direcionada
Após termos feito essa viagem através do mundo da criação de marcas, podemos concluir que dar asas para a sua imaginação é necessário. Mas no caso da criação de uma marca a imaginação deve funcionar como um avião: existe um ponto de partida, o trajeto e o destino final.

A imaginação deve alçar vôo e aterrissar no terreno seguro do logo ideal. Aquela marca que vai ser identificável e única. Carregando com ela a harmonia do design e a funcionalidade, seduzindo e persuadindo a persona através de suas formas e cores.

Para saber ainda mais sobre o tema, confira os diferentes tipos de logotipo que você pode criar!

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