Descubra porquê a criação de marca é mais processo do que criação

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criação de marca

O processo de criação de marca não é uma ação simples de ser executada. Pense nas melhores marcas, logos, logotipos, ou seja lá como você quiser chamá-las (exceto logomarca).

As grandes marcas têm em comum o fator de estarem nas primeiras posições dos rankings das marcas mais valiosas do planeta.

Seus logotipos foram desenvolvidos por processos criativos de uma marca que seguem metódicos eficientes de branding..

O objetivo de um logo é expressar valores e conceitos por meio de um símbolo criativo que auxilia a cumprir o objetivo: uma marca marcante.

 

Design e arte é fundamental para a criação de marca?

A marca é fundamental para toda a comunicação da empresa e para campanhas de marketing.
Para entender melhor, vamos refletir sobre a seguinte pergunta.

Para leigos, essa distinção entre as duas áreas pode soar tola, mas o fato é que design não arte.

Arte é expressão livre. Através da arte, que pode ser gráfica, sonora, cênica e escrita. As pessoas podem expressar livremente sua arte com o objetivo estipulado e/ou parâmetros pré-estabelecidos.

Sendo assim, podemos dizer que ambos os exemplos abaixo são arte.
O Sepultamento de Cristo, por Caravaggio.

Imagem: Reprodução

Convergence, de Jackson Pollock

Image property of the Albright-Knox Art Gallery, Buffalo, NY.

São duas pinturas notavelmente diferentes.

A primeira, oriunda da escola barroca apresentando enorme comprometimento com realismo. Ela representa uma passagem bíblica, dando “vida” à cena apenas descrita em palavras.

A segunda, expressionista abstrata e modernista. Não segue uma narrativa linear, tendo a sua interpretação livre, aberta e incerta.
Qual das duas pinturas mais se aproxima do design? Pense um pouco.

 

História da arte

A maioria dos pintores famosos das épocas renascentistas e barrocas eram contratados por membros da nobreza.
Por sua vez, artistas modernistas eram contraventores. A maioria deles fazia as suas obras apenas para se expressarem e vendiam posteriormente as pinturas em galerias.

 

Design

Vamos fazer uma pausa aqui e voltar ao design. A nomenclatura mudou mas o conceito continua o mesmo.

Design é algo que apresenta reprodutibilidade, o que dá a ele uma característica de “indústria”, produção em série e em massa.

Além disso, é algo que é feito pensando no consumo. Assim sendo, o que difere design de arte é isso: design tem conceito.

Há um motivo previamente determinado. Há um propósito baseado em diretrizes e limitações. Arte não tem limites. Design, sim.

Vamos tomar como exemplo o cartaz abaixo.

Imagem: Reprodução

Este poster foi feito pelos artistas do estúdio goiano Bicicleta Sem Freio para a turnê inglesa da banda Black Drawing Chalks.

Podemos dizer que é um cartaz bastante artístico. Mas ele tem diversos propósitos.

Sobre a imagem vemos uma mulher de jaqueta em desconstrução com fortes influências de surrealismo e psicodelia.

Os traços são fortes e carregados. Isso pode estar atrelado ao fato de que o som da banda em questão é poderoso e pode te fazer perder alguns pedaços.

Parece ser um arte sem limites, certo? Mas se considerarmos a persona da banda, é uma arte extremamente sedutora.

São apenas 6 cores: amarelo, magenta, verde, roxo, laranja e rosa. Elas são vibrantes e chamam a atenção, mas até isso foi proposital. Gera um equilíbrio estético e impressionam ao mesmo tempo.

O cartaz cumpre com o que foi pedido pelo cliente:

  • um poster que represente o som da banda, seja atrativo para o público e chame a atenção.

Sendo assim, das pinturas antes citadas, a que mais se aproxima do design é a do Caravaggio, pois foi provavelmente encomendada por algum membro do clero.

Podemos concluir, portanto, que design não é arte. Mas arte pode ser design. 😉

 

Processo de criação

Tendo feito essa série de reflexões sobre o que é e o que não é, vamos voltar a criação da marca. Já sabemos que uma marca deve representar seu produto e/ou empresa.

Também deve expressar visualmente uma série de fatores ligados ao seu negócio. Sendo assim, existem alguns passos que podem ser seguidos para chegar a um resultado. Mas é importante ressaltar que isso não se trata de uma receita de bolo!

Cada designer tem seus métodos e processos. Cada marca demanda um processo específico e exclusivo.
Os passos abaixo podem ser tomados como base, mas não são a chave para o logo perfeito.

Tampouco são lineares. As etapas se misturam e se complementam.

 

  1. Briefing – o primeiro passo é fazer uma lista de todas as coisas que você espera que a sua marca expresse. O que é o seu produto/serviço/empresa? Com qual persona a sua marca deve se comunicar? Quais são os seus valores? Qual mensagem a marca deve passar? O que deve ser evitado? Organize bem as suas ideias sobre a mensagem que a sua marca deve passar. Com essas informações será possível direcionar as próximas etapas de forma mais eficaz.
  2. Pesquisa – nesta etapa, uma pesquisa de referências deve ser feita. No seu segmento de mercado, quais são os benchmarks? Como é a marca dos seus concorrentes diretos? Quais são os logos que considera transmitir valores. Pense primeiro na resolução do problema e depois no design. Com todas essas referências listadas, vamos para o passo seguinte.
  3. Rascunho e conceituação – finalmente, essa é a hora em que o designer deve se munir de papel, lápis e borracha. Com todo o material reunido, será bem mais simples dar forma à marca.

 

E você pode dar um suporte para o designer!

Mesmo que não haja habilidade nenhuma de desenho, tente! Rabisque o papel. O caminho mais curto entre o que está na sua cabeça e uma boa ideia é a sua mão.

O designer encarregado da tarefa vai agradecer qualquer garrancho em um pedaço de papel que possa ajudá-lo a interpretar todo o material previamente coletado.

Imagem: Reprodução

 

Traços

Essa é a etapa onde a imaginação é necessária, de fato. Mas imagine criar um desenho sem nenhuma parte anterior do processo?

As etapas anteriores estabelecem limites importantes para que a criatividade dê vida a algo que realmente vá cumprir a função necessária e esperada.

É uma etapa que toma mais tempo e pode ser mais cansativa, por não ser tão sistêmica. Estabeleça um prazo que atendam à todas as partes e tenha paciência: o desenho ideal vai sair!

Acompanhe o processo, cobre as alternativas do designer e se deixe a disposição para opinar e guiar o processo criativo para que tudo saia conforme o seu gosto.

Mas não se esqueça: você contratou um profissional e não um mero executor.
O designer estudou bastante para saber o que vai melhor resolver o seu problema. Dialogue.

Peça para que o designer defenda as decisões que tomou e esteja com a cabeça aberta para novas ideias. Escute o que ele tem a dizer e não deixe o seu gosto pessoal determinar o resultado final!

  • Arte final – ao fim desta etapa será possível visualizar a sua marca com um refinamento que pode vir a ser a sua marca definitiva! O designer vai digitalizar o que ele conseguiu na fase de rascunho e o computador dará a ele diversas possibilidades de testes que definirão o resultado final ideal. Ao finalizar em algum software gráfico, as coisas podem ficar um pouco diferentes do rabisco no papel. Aquela ideia, que era considerada genial, pode não funcionar tão bem quanto a que você não confiava.

  • Revisão – tendo a(s) marca(s) finalizada(s), hora de revisar o trabalho. Deverão ser feitos diversos estes com todas as variações possíveis: colorida, monocromática, redução máxima. Aplicação em fundos coloridos claros e escuros, aplicação em fotos, aplicação em produtos, criação de um padrão a partir da marca… Lembre-se também de que nem sempre a opção que você considera ser a mais bonita é a mais eficiente! Escolha a opção que melhor represente os seus valores e tenha isso evidente em seu conceito.
  • Apresentação e entrega – agora é o momento de ver a marca ideal finalizada. O designer deverá montar uma apresentação defendendo a ideia final, se valendo de todos os passos das etapas anteriores. Seja crítico ao avaliar a marca final e certifique-se de que tudo foi muito bem esclarecido durante a apresentação. Questione o designer sobre os pontos que não ficaram claros, tanto sobre detalhes gráficos quanto conceituais. Equilibre o seu gosto e as explicações do profissional.

 

Se o processo foi feito com atenção e empenho de todas as partes, certamente tudo estará bem alinhado para evitar que o resultado não fique fora do esperado.

Após a apresentação, reflita.

Em caso de não aprovação, indique as alterações cabíveis e estipule um novo prazo.
Se aprovada, excelente! Desfrute da sua nova marca!

 

Criatividade direcionada

Após essa viagem através do mundo da criação de marcas podemos concluir que dar asas à sua imaginação é necessário.

Mas no caso da criação de uma marca a imaginação deve funcionar como um avião: existe um ponto de partida, o trajeto e o destino final.

 

A imaginação deve alçar voos e aterrissar no terreno seguro do logo ideal. Aquela marca que vai ser identificável e única.

Carregando com ela a harmonia do design e a funcionalidade, seduzindo e persuadindo a persona através de suas formas e cores.

 

Para saber ainda mais sobre o tema, confira os diferentes tipos de logotipo que você pode criar!

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